And I will love you
Te visualizei arrumando a mala e saindo pela porta nas pontas dos pés, só pra dizer que não causou barulho na minha vida. Você estava partindo e fim. Me queria bem, coberta, devidamente medicada, corada, comendo legumes e praticando exercícios. Só não me queria com você. Assim, simples, como um pequeno inseto que entra e sai pelo vão da porta de casa, você quis sair da minha vida. Acontece que o seu tamanho em mim não permitia. Você trouxe uma avalanche e uma manada de elefantes para dentro da minha sala, quebrou meus copos, dançou no assoalho, tirou meus quadros do lugar e tropeçou nos meus tapetes. Não dava para sair em passos de formiga, como se eu não tivesse visto. Não dava pra fingir que o seu rastro não ficou marcado no meu chão. Ainda existia aquele caderno com a sua letra, aquele vestido que você deu, aquelas fotos na tela do meu computador. Tudo bem, a gente apaga, coloca os ursinhos para a doação, rasga as cartas, esconde tudo debaixo do tapete. Mas como é que eu esqueço o que ficou em mim? Como eu faço para tirar essas cicatrizes, curar essas feridas, juntar meus ossos de novo? Porque ninguém que entra e bagunça a nossa sala sai sem deixar vestígios. Que dirá de quem bagunça a nossa vida. E você não se virou, não perguntou se eu precisava de um curativo. Só pediu desculpas como quem quebra um copo e só lamenta por não poder consertar. E eu quis gritar para você voltar nem que fosse para recolher meus cacos, nem que não pudesse me reconstruir. Eu quis gritar porque nem minha cama você arrumou, nem para esconder o vazio que ficou debaixo do lençol com seu cheiro. Mas eu calei, guardei em mim. Talvez você nunca fique sabendo que o tamanho do meu colchão multiplicou por mil e meu coração na proporção inversa. Talvez você nem seja bom de matemática, porque estava na cara que não soube calcular os danos. Deixou silenciosa a casa que por muito tempo foi palco das melhores festas da vizinhança. Largou o meu público em silêncio bem no meio de um refrão. E eu me perguntei se você havia esquecido o resto da letra que a gente compôs ou se simplesmente havia enjoado da nossa cançâo. Você saiu inteiro, com os pés descalços e sem carregar nada nos ombros. Mas eu sabia que, naquele momento, você levava muito além do que tinha nas mãos. Você levava uma parte de mim embora, como um inseto, que entra na nossa cozinha e leva, sem ninguém se dar conta, um grão de açúcar. Acontece que não se leva metade de alguém embora sem fazer barulho, sem causar escândalo, sem deixar para trás um buraco maior que qualquer buraquinho de cupim. Eu quis cuidar de você, subir no palco e cantar junto aquilo que podia ser a melodia mais bonita da nossa vida. Mas você virou as costas, assim, como quem entra e logo sai de uma loja. Sem nem me dar a chance de perguntar se podia ajudar. Talvez eu pudesse.

rio-doce (via redificando)

E ninguém sabe se isso vai durar uma noite, ou uma vida inteira. Consumimos amor demais sem saber quanto tem no estoque. Nos tornamos dependentes de uma droga que anda e fala. Abstinência de alguém é o pior vicio.

Sean Wilhelm.    (via nevarias)

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(via julieta-cade-romeu)

Tão inteligente para escrever sobre o amor e tão burra para amar…

Clarisse Lispector.    (via emanarei)

É horrível ser a pessoa que responde rápido.
A vida maltrata quem sente demais. Quem sente demais acaba sofrendo mais que a maioria das pessoas. Tudo importa, tudo é exagerado, tudo é sentido de corpo e alma.

Clarissa Corrêa.   (via auroriar)


@ acumulou